Diário de uma Acompanhante

Ontem, estive na companhia de uma pessoa muito importante para mim. Já o conhecia há muito tempo, mas por causa dos destinos da vida, nunca mais o vi. Ele, um daqueles homens charmosos, sempre me trataou com uma dama e dizia que dentre as outras acompanhantes eu era uma das mais belas e finas. Realmente, ele é uma pessoa diferenciada.

Durante toda vida de acompanhante, temos bons e maus momentos, mas felizmente os bons superam os maus. E tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas boas, com as quais fiz uma grande amizade. Algumas delas não contratavam minha companhia apenas para sexo, mas para a literalidade da palavra acompanhante. Ou seja, para fazer companhia, estar ao lado de uma pessoa agradável e que ao mesmo tempo lhes faziam sentir bem.

Percebi que esse padrão de procurar acompanhantes para companhia é algo corriqueiro, e apesar de ser a exceção, os casos são numerosos. Isso me faz pensar o quão muitos na nossa sociedade são sozinhos, ou se sentem só. A solidão é um problema frequente e, muitos, apesar de  possuirem uma grande família e amigos, se sentem sozinhos e acabam por procurar uma boa companhia, o que está raro nos dias de hoje.

Esse senhor com quem estive ontem, é um exemplo desta solidão. Apesar de seu sucesso financeiro e profissional, ele intimamente não é feliz em sua plenitude. Tem uma ótima casa, muitos bens, mas nunca se conformou com o falecimento da esposa e talvez por esse motivo nunca mais tenha se relacionado com outras  mulheres de sua idade, sempre procurando acompanhantes.

Por ter mais intimidade comigo do que com as outras acompanhantes, consigo sempre extrair informações dele sobre o motivo de sua tristeza e mesmo sendo reservado (e com razão), algumas vezes ele se abre deixando claro o quanto é sozinho e que aqueles que estão ao seu lado, somente o estão por interesses financeiros.

Perguntei a ele, neste último encontro, se sentia o mesmo por mim; já que eu também estava ali com ele sendo uma profissional, ou seja, estava sendo paga por isso. Ele me respondeu que não, pois eu antecipadamente eu já expusera a situação. Ou seja, antes do encontro já havia as regras prontas, e ele aceitara; além de ser minha profissão. Continuando, ele dizia que diferentemente dos outros que os cercavam, eu não tinha nada a esconder, que estava agindo profissionalmente para ganhar vida.

Jantamos juntos conversamos muito e fomos dormir. Naquele noite pensei muito na situação deste homem, que apesar de esboçar uma imagem de confiança e imponência, não está feliz. Desconfortável com uma vida cercada de pessoas interesseiras e falsas, ele diz que a despeito do preconceito da sociedade com as acompanhantes, diz que eu, sendo uma das poucas pessoas com que ele se sentia longe de falsidades, era a melhor companhia que ele tem.

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